Em Quixeramobim, 30 famílias agricultoras conquistaram tecnologias sociais de saneamento rural, sendo implementada uma unidade do reuso de água cinza e uma da fossa ecológica em cada quintal produtivo das famílias. Essa ação é resultado do trabalho do Instituto Antônio Conselheiro (IAC) em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) do Governo Federal.

Antes da chegada das tecnologias, as águas utilizadas na lavagem de roupas, no banho e nas atividades da cozinha eram descartadas diretamente no solo e nos arredores das residências, provocando mau cheiro, proliferação de insetos e contaminação do ambiente. Já os resíduos provenientes dos banheiros eram direcionados para fossas rudimentares ou sistemas inadequados, o que poderia contaminar o solo, os lençóis freáticos e comprometer a saúde das famílias.
Com a implementação das tecnologias sociais, as águas e resíduos provenientes do banheiro, cozinha e lavanderia passaram a ser coletados e tratados de forma adequada.

No sistema de reuso de água cinza, a água da lavanderia e cozinha é tratada e retorna ao quintal por meio da irrigação por gotejamento, cujo a disponibilidade desta água fortalecerá a produção de alimentos e consequentemente a segurança alimentar das famílias.

Já na fossa ecológica, os resíduos do banheiro passam por um processo de tratamento que contribui para a reciclagem de nutrientes, gerando matéria orgânica apropriada para o cultivo de plantas específicas, como as bananeiras.

A agricultora Ana Maria de Brito Sousa, de 55 anos, da comunidade Várzea Formosa, localizada a cerca de 48 km de Quixeramobim, relata as mudanças percebidas após a chegada da tecnologia de reuso de água em seu quintal:
“A gente vivia com a água sendo jogada no terreiro e isso trazia mau cheiro, muriçoca e outros mosquitos, era muita preocupação pra nossa saúde. Agora, a água já tem um destino, né? Fica tudo mais limpo e ainda ajuda a molhar as plantas do quintal. É uma riqueza pra nós, porque melhora a vida da família da gente.”
A partir de agora, as famílias agricultoras deixam de conviver com problemas causados pelo descarte inadequado de águas residuais e resíduos sanitários, como mau cheiro, proliferação de insetos e contaminação do solo.
Texto: João Caetano | Fotos: David Rabelo

